segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Paixões

Não saberei exprimir
O que a falta de sentimentos
Me faz sentir.
Poderia dizer que é um alivio,
Ou Felicidade.
Mas não estaria verdadeiramente certa sobre isso.
Acho que a palavra certa é uma estranheza.
Desde que nasci me lembro de sempre
Ficar apaixonada por outrem.

Com meus 5 anos de idade
Me apaixonei pelo menininho do meu prédio
Lembro-me daqueles olhos puxados,
Aquelas mãos pequenininhas,
Que sempre ao correr me puxavam
Para sentir o vento em meu rosto.
Não lembro como foi a nossa despedida
Lembro-me poucas coisas que fizemos juntos.
Mas me lembro de acordar
E a primeira coisa a fazer era escutar sua voz.

Depois com 7 anos, acho.
Conheci a menina mais linda de todas,
Rita.
Ela ficava mexendo nos cabelos
Quase o tempo todo,
Ela adorava me abraçava
E dizia que me amava.
Amor aos 7 anos de idade.
Até engraçado pensar nisso.
Dormi uma noite em sua casa
Nesse dia ela me deu um beijo
Eu mal sabia o que era isso,
Os lábios dela tinham gosto de chiclete,
Mas foi tão bom que eu não queria parar de sentir a boca dela.
Não foi um beijo como beijo hoje,
Mas um beijo de lábios,
De descobrimento.
Foi o meu melhor beijo, até hoje.
Também não lembro como me despedi dela.

Depois de varias paixões
Me apaixonei por um menino
Eu já estava velha.
Lembro-me que meu coração disparava
Quando eu encontrava ele.
Parecia que ao abraçá-lo meu
Coração entrava no mesmo compasso que ele
Parecíamos um só,
Não conseguia me imaginar sem ele.
Então nos separamos.
Foi estranho isso,
Parecia que nunca iria me apaixonar de novo
Relembrando isso
Sinto que entrei em uma novela mexicana.
Agora não paro de rir dos meus tormentos.

Namorei outras vezes,
Porem nada que fosse muito grande
Nenhum sentimento avassalador.

Tive um outro namoro que acreditei
No amor, no nosso futuro, etc, etc, etc.
Graças a ele comecei a crer
Que podia amar varias vezes.
Digo que foi uma tempestade,
Um furacão.
Eu era um furacão.
Eu entrava e acabava com tudo,
Com a paz e o sossego.
E quando eu começava a desistir de nós,
Não sei o que acontecia que me fazia querê-lo de volta.

Agora não sinto nada.
Sinto um vazio.
Não sei o que quero,
Isso é uma incógnita
Mas sinto beleza nessa
Falta de sentimentos.
Não, não é falta de sentimentos,
Pois ainda sinto amor por mim.
Isso soa meio egoísta,
Mas acho que não é.

De todos os amores que eu tive
Sei que só restará um em minha lembrança,
Um que por mais que eu queira esquecer não conseguirei,
Pois se empreguinou no meu corpo.
É o amor que sinto por mim mesma,
Não ria disso
Sei que é um clichê,
Mas é a verdade,
Eu demorei muito para me amar.
E hoje,
Velha como estou
Quero dançar, cantar só,
Quero correr sozinha.
Não ligo para os olhos cheios de risos,
Pois quando eles estiverem na minha idade,
Faram a mesma coisa.
E nem lembraram que um dia riram de mim,
Do mesmo modo que não lembro
Se ri de alguém "velho" que nem eu.

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